quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Meu primeiro amor

Faz tempo que eu não escrevo, a não ser os trabalhos da faculdade. Mas tenho que admitir que eles foram bem mal-feitos, ou pelo menos não feitos com tanto esmero, nem na rua dos bobos, nem no zero. Ai, meu deus, preciso parar com as piadas infames, urgentemente. Eu sempre me sinto mais idiota que o normal depois que elas, involutariamente, saltam da minha boca. Well, estoy bien, se que. Bom, não vou continuar com as chorumelas porque afinal, eu sei quem se importa.

Eu lembro quando eu tinha uns 16 anos e me apaixonei pela primeira vez. Na verdade eu fui descobrir quase com 18 que eu estava apaixonada, e claro, eu fui a última a saber. Essa é uma das trági-cômicas histórias da minha vida. Aos 16 eu sofria de amores, e de ódio também, porque nessa altura da vida, eu estava muito mais empenhada em ser diferente "daquele bando de adolescentes fúteis", do que a olhar pros lados. O tempo foi passando, e eu dividia meu tempo entre brigar com o coitado do garoto e pensar no que eu falaria quando ele me ligasse a noite. E eu não entendia nenhum daqueles telefonemas, começavam com o caderno que ele - sempre - esquecia e terminavam sempre com algo do tipo, e que música você mais gosta?. Mas claro, a parte que eu mais gostava era a de brigar, e eu me empenhava fortemente nisso. Até que, claro, alguma coisa saiu do meu controle, e quando eu percebi, tínhamos virado inimigos mortais. Os telefonemas sumiram, mas as brigas aumentaram numa velocidade desproporcional. Conseguíamos constranger a todos, como se fosse uma competição de quem ofendia mais. Até que um dia ele arranjou uma namorada e sumiu. Eu, na minha santa ignorância, camuflei a tristeza e acreditei que tinha ganhado a briga, a final aquilo tudo devia ser uma briga, só.

Mas o tempo passou, e bem no meio das provas, quando eu ia pra escola de calça jeans, chinelo e moleton, sem a mínima preocupação com a aparência. Até que ele apareceu na minha frente, e eu achando que era engano, a final, nós não éramos inimogs mortais? Até que ele disse que ia embora, os pais iam se mudar, e ele queria pedir desculpas. Eu não entendi e ele me explicou, me contou de toda a história de amor que não aconteceu - e que no caso nunca aconteceria, e eu dei um sorriso, um abraço e um beijo. Fui embora, não aceitei o convite pra festa de despedida, nem esperei ele me dizer pra ir embora. Eu saí correndo até a praia, até me sentir segura, e chorei, chorei como nunca havia chorado em toda uma vida. E eu aprendi minha primeira lição sobre o amor, que ele existe independente da nossa vontade, e que sabe-lo ou não, só da nome ao sofrimento.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

As nossas escolhas

Quando eu a conheci, ela era uma das meninas mais bonitas e legais da turma. O engraçado é que todo mundo tinha namorado menos ela, e parecia que toda hora faziam questão de lembrá-la disso, como se fosse algum tipo de defeito. Pra mim esse tipo de coisa nunca fez muito sentido, até porque eu fui ter meu primeiro namorado aos 17, enquanto todas as minha amigas estavam, pelo menos, no segundo. Mas parecia que o fato dela não ter namorado incomodava todas as pessoas em volta.
Os comentários eram sempre cheios de pena ou sarcasmo, e eu, como era "nova" na turma, nunca repliquei ou contestei, a não ser mentalmente, esse tipo de situação. Nada era muito explícito, mas as coisas implícitas sempre me incomodaram mais do que aquilo que era expresso nitidamente, até porque, quando se tem o álibe da subjetividade, é muito fácil se ausentar da culpa. Mas o tempo passou, e além de nos tornarmos amigas, ela se apaixonou por um dos meus amigos.
Engraçado era que os comentários não perdiam o tom, finalmente desencalhou, foi a frase mais ouvida no primeiro mês de namoro. Depois de seis meses, a coisa mudou para um "não vai durar muito". Mas ela nunca pareceu se importar muito com isso, e eu também nunca ousei perguntar, era como se aquele tipo de julgamento não surtisse efeito na sua vida, mas porque raios aquilo me incomodava tanto?
Uma vez comentei com um amigo e ele falou que era meu instinto de sempre querer proteger as pessoas que fazia com que eu me sentisse tão mal quando aquele tipo de situação acontecia. Mas não era isso, a questão foi que eu passei a me incomodar a todo momento, não só quando faziam comentários maldosos sobre o estado civil da dita cuja. Era como se eu sentisse que aquelas pessoas poderiam fazer a qualquer momento alguma observação sobre a minha pessoa, afinal, eu era muito menos bonita, legal e sociavel do que ela. E eu tinha completa noção que se eu fosse me importar realmente com isso, eu não teria vida - até porque eu tenho uma certa tendência pra neurose, é bom deixar claro.
Até que um dia, entre uma cerveja e outra, aquela que tinha s- ou pensava eu que tinha - se tornado, até então, minha amiga falou sobre uma das coisas que me deixa realmente sem graça: meu peso. Foi uma piada, todos riram, e se eu não fosse tão encanada assim com isso, teria rido também. Mas eu não ri, não havia motivo pra risada, e pela primeira vez eu não me importei com meu peso, ou com o que achavam dele, mas como tinha sido tola aquele tempo todo.
Como tinha sido teimosa em cismar em querer ver tudo através das minhas lentes, do meu ponto de vista, daquilo que eu - e mais ninguém - achava certo. Eu percebi que as minhas preocupações eram sem sentido, e que o que as pessoas falavam não continham todo o peso que eu dava pra elas. Tudo ficou claro, e mais claro ainda que aqule não era o tipo de gente que eu queria do meu lado. Não por uma questão moral, não por que eram pessoas ruins, mas eram pessoas que não tinham as características que eu julgava importante para qualquer ser humano. E isso só diz respeito a mim, porque eu tenho direito de escolher quem vai ficar do meu lado.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Santos


Meu coração aperta, e cada dia tem apertado mais. É saudade de casa.Saudade da areia derretendo os meus dedos dos pés, misturada com o mar, descendo pelo calcanhar até se perder pela rua, pelo piche do chão. Saudade do meu pôr-do-sol particular, de ver o sol desfalecer só pra mim, como um cobertor que me proteje na noite escura. Eu sinto falta do meu pé descalço queimando no asfalto. Às vezes eu penso que não nasci para a cidade grande, ainda que me encaixe perfeitamente nela. Me faz falta poder sair por aí, poder andar com meus próprios pés, receber a benção do mar todos os dias, e me sentir segura, perdidamente segura.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

meus restos de tempo

Eu ponho Belle and Sebastian no som. Faz um tempo que B&S se firmou como o meu som, as minhas músicas, aquilo que me faz me sentir mais eu. Eu costumava caminhar pela USP de madrugada ouvindo "The stars of track and field aaaare beautiful people", e conseguia resolver as minhas questões mais íntimas e aterrorizantes. Mas hoje tudo mudou, eu comecei a ler uns textos antigos que eu tinha salvo em arquivo, uma espécie de compilação que eu fiz de vários blogs e sites da internet, e enquanto B&S tocava eu lia, escutava e lia, lia, lia, e lia. É engraçado como algumas coisas voltam à tona em questão de segundos, como os amores se desenterram pelo união da palavra com o som, e como nos sentimos mais volúveis e perdidos no meio da melancolia se dissolvendo nas gotinhas de chuva da janela.
Eu vou vasculhando pelo quarto e achando todas aquelas lembranças que eu pensava ter jogado no lixo, pra não mais sofrer, como se fosse música. Mas elas estavam todas ali, como se alguma coisa tivesse feito com que elas ficassem comigo, sem que eu percebesse. E agora quando eu pego cada pedaço esquecido, meu coração não se arrabata, não dói, não chora. Eu não fecho mais tudo rapidamente e finjo que nada ali aconteceu. Agora eu suspiro com uma carta nas mãos, com saudades daquilo que foi bom, fecho os olhos querendo voltar no tempo, no exato momento em que aquilo tudo foi verdade e brilhava. Eu tento voltar em cada instante que um dia foi meu, e hoje de quem será ? Meu coração regateia, minha respiração falha, o passado envelhece as fotos. O tempo passa, mas será que tudo também passa ?

terça-feira, 30 de junho de 2009

firmamento

de dor,
sem cor
de cor,
sem dó

avanlanche passa e prende
mas não rende
paraliza
incisa

um risco
apagado
não corre
e desata
como se a vida
não fosse mais que uma errata.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Considerações sobre o fim-de-semana

O cheiro de comida da cozinha só faz com que meu estômago doa mais. Parece que só o cheiro do bacon já consegue aumentar minha acidez. Aliás, engraçado isso, eu não sou uma pessoa ácida, apesar do meu estômago ser. Enfim, Michael morreu, o Luxemburgo saiu do Palmeiras e o McDonalds não fabrica mais o McDuplo. Notícias arrebatadoras pra um fim-de-semana curto demais.

Jackson morto, sim, ele era de verdade. Ele me lembra como é perigoso se perder dentro dos seus próprios limites. Eu choro a vida de Michael, eu sorrio aliviada com a notícia, ele se foi, ele parou de sofrer. Se houver outra forma de vida, que seja boa para ele. Meu coração não em permite escrever mais, as palavras nem tangem minha dor.

Luxemburgo
5 da manhã de sábado, a notícia: Luxemburgo fora do Palmeiras. Não foi especulação, saiu da boca do mesmo. E nunca foi tão bom acordar tão cedo num sábado.E meu sorriso se abriu, e minha esperança se renovou. Desde a segunda divisão, eu nunca o perdoei, e pelo visto, não perdoarei tão cedo. Que venha Muricy, que venha Abel Braga, que venha quem vier. Mas que venha com amor, e respeito por essa camisa tão vitoriosa. Que quem vier saiba da responsabilidade, e que ame esse time, acima de todas as coisas.

McDuplo
O sanduíche mais gostoso que essa porca capitalista adora comer. E os porcos capitalistas-mor do MC aboliram ele do cardápio! E sem aviso! Agora eu só vou pedir o McFlury com Ovomaltine do BOBs, e tenho dito.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Necessidades e Costumes

Eu preciso me acostumar com as lentes novas dos meus óculos. Com a minha miopia desproporcional, que quanto mais diminui, mais me atrapalha. Eu preciso me acostumar a ter paciência, calma e confiança. A espera sempre é longa, senão seria chegada. E eu gosto mais delas. Eu gosto das janelas da varanda se abrindo e as pessoas correndo pra fora de casa. Mas a minha casa é apartamento e as varandas dão pro céu, o chão acaba no ar que eu não sei pisar. Eu preciso me acostumar, lembrar que eu não tenho asas e que não posso sair por aí achando que todos também não tem.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A minha (falta de) história com Deus


Você acredita em Deus? Uma vez eu tava respondendo um questionário pra uma vaga de emprego e tinha essa questão. Eu pus que sim, óbvio, as boas pessoas devem acreditar em Deus. Mas hoje, pensando melhor, eu suspiro alto e digo com certa relutância e muita honestidade: eu não sei - e sinto minhas pernas tremerem ao anunciar isso, mesmo que seja só em pensamento.
A verdade é que eu sempre quis acreditar em Deus. Aos oito anos me sentia mal em não saber rezar um pai-nosso. Eu não fiz catecismo e o máximo de Igreja que tinha frequentado naquela época foi em um ou dois casamentos. Aí eu achei uma revista que falava sobre religião e decorei a oração. Aos poucos eu fui adicionando frases que escutava para implementar, como se isso suprisse de alguma maneira aquela minha primeira falha com Deus.
Um tempo depois eu roubei uma santa aqui de casa. Na verdade ela estava esquecida no escritório, e eu por alguma razão desconhecida, levei pro meu quarto e a tenho comigo até hoje - ainda que ela esteja sem rosto, porque insistem e derrubá-la no chão quando eu não estou por perto. E sim, eu até hoje não sei qual o nome dela. Ela é a minha santinha, é pra ela que eu peço em última estância. E dela não me desfaço, ainda que eu não acredite.
Pois é, e tenho uma santa sem cabeça em cima da cama e não sei se acredito em Deus. Isso quase não faz sentido. Mas continuemos. Depois de um tempo eu me encontrei dentro da Igreja da Consolação, pedindo pra que qualquer coisa desse um sentido pra minha vida. E fiz a estúpida promessa que nunca se faz com Deus - acreditemos nele ou não. Nunca deve-se por Deus, ou deus, em cheque. Mas no alto da infelicidade dos meus 20 anos eu pus. E perdi, claro. E com isso, racionalmente se tornou quase impossível prever qualquer tipo de aproximação entre eu e Ele.
Eu ainda tentei algumas promessas, mas não encontro o botão de acionamento da fé no meu corpo. Não encontro um motivo para acreditar em Deus. Não encontro um motivo pra Deus acreditar em mim. Eu durmo todo dia antes de terminar meu pai-nosso-incrementado, talvez seja a minha falta de fé. Talvez seja Deus tentando me explicar que a fé está em outro lugar.

PS - Pra quem não percebeu, a santa com o rosto quebrado na imagem, é a minha.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Desabafo

Eu estou cansada dos discursos inflamados, pra não dizer dos ânimos. O maniqueísmo disfarçado de ideologia revolucionária não desce mais pela garganta. É preciso gritar.

Eu sou contra. Terminantemente contra. Acho que é uma luta pelos meios e motivos errados. Um passo pra fora da reta, ainda que não possamos falar em reta, num caso como esse. Eu explico, mais uma vez, de novo, e repetidamente a USP está em greve. Uma greve como as outras, talvez um pouco mais requintada, um pouco, um pouco só. Melhor, um pouco e só.

E quando digo um pouco, me refiro à entrada da PM no campus, e aos atritos com alunos, professores e funcionários. Isso me cansa. Quem estuda na USP está cansado de ver, ouvir e saber que um grupo que totaliza num máximo cinco mil pessoas - só de alunos, a USP conta com 80 mil -, sempre está correndo atrás das greves. Os alunos - e quando digo alunos, excluo todos aqueles filiados aos partidos políticos, porque, por exeperiência própria, creio que tem outros objetivos dentro desta universidade - quando favoráveis à greve, pedem por mais tempo para terminarem seus trabalhos de fim de semestre. Os funcionários pedem aumento, os professores, bem os professores são na maioria das vezes sufocados, e se tornam apáticos, lutando por causas que não são, a priori, suas.

Hoje, a PM virou bandido. Mais uma vez, os intelectuais mais conceituados do país- pelas suas próprias palavras -, voltam à ditadura, e estremecem de medo ao primeiro contato com a polícia. Parece que paramos no tempo. De um lado vemos professores acuados, lutando contra uma polícia que está posta no campus por ordem judicial para protegerem eles mesmos, e de outro, temos alunos afoitos que, por pensarem não fazer parte da história política do país, desejam uma polícia truculenta e imbecil, cuja função seria transformá-los em heróis.

Sinto dizer, mas hoje, não há mais espaço para heróis. O heróismo é luxo numa universidade que, aos poucos, se transforma em lixo. Não é preciso que haja revolução para que haja reforma. Para reformar é preciso material, planejamento e vontade. Mas eu me esqueci, eles buscam por uma restauração. Eles não sabem se adaptar. Eles são crianças mimadas que querem porque querem sem motivos justificáveis. Eles não querem o debate, eles são contra a maior e mais eficaz forma de democracia já inventada - até porque, a democracia das mãos levantadas é totalmente secreta e inviolável , não?

Eu sou contra essa greve, eu sou contra os preguiçosos que fazem greve. Contra todos aqueles que se deixam levar pelo mais convencional. Se queremos que essa universidade seja o que se diz dela, é preciso acalmar o passo e baixar o tom de voz. Para estudar, é preciso silêncio, para lutar também é preciso.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Rasgada, era assim que eu me sentia. Que nem pano velho, que agente rasga e faz dois, três, quatro, uns pra tirar o pó, outros pra limpar o chão. Essa consciência já me bastava. E sentia que era a mesma velha história: se culpado havia, o codinome seria meu. Porque fugir daquilo que conforta se mostrava tão ferozmente como o caminho certo? Porque tudo parecia me levar a um estado paralizador das ações? Como num quebra-cabeças eu lutava contra todas as multidões que habitavam meu coração, atrás da peça certa. Sem saídas, eu fugia por todas as tangentes buscando pelas redes de segurança que não estavam mais ali. Eu não sabia pra onde eu ia, eu não sei o que me tornei.